Primeiramente, é importante destacar que cada autor ou treinador tem sua forma de escrever o treino. Dizer que esta ou aquela forma é melhor ou pior é muito subjetivo. O formato aqui apresentado possui elementos interessantes de diversos autores e treinadores, com alguns acréscimos e modificações.
Variáveis
Cada linha de repetição (série) do treino de natação é formada por diversos elementos. Alguns não são obrigatórios e podem ser omitidos. Isso vai depender do grau de detalhamento do treino e do estilo do técnico. Nos treinos publicados aqui temos sempre cinco elementos: as repetições, as distâncias, a descrição do exercício, o nível de esforço, o intervalo de execução ou tempo de repouso.
Ciclos & Repetições
As repetições dizem quantas vezes a distância especificada em uma série (linha de repetição) deve ser nadada. Já os ciclos são blocos de repetições, que podem conter uma ou mais linhas.

Distância
Ela pode ser especificada de duas maneiras: por metros (25, 50, 200) ou por tempo (08:00). Também é conhecida por volume e tem ligação com o nível de esforço, pois dependendo da distância não é possível manter determinado nível de esforço físico.

Descrição
A descrição é a porção mais longa, com maior número de informações e que contém maior variação. Aqui temos que informar o que será realizado, como será realizado e com o quê será realizado.
Inicialmente, podemos ter
uma série nadada, de corretivo
ou mista (uma combinação de ambos).

Em uma série nadada, utilizamos a notação em negrito para informar se será um estilo específico, por exemplo Crawl; ou Livre, onde o atleta pode escolher o estilo que for mais conveniente; ou ainda, Estilo, onde o atleta pode escolher o estilo de nado, exceto o Crawl.
Alguns autores/técnicos utilizam o termo Livre para se referir ao Crawl e o termo Escolha para informar ao atleta que pode utilizar qualquer estilo de nado. Mas o termo Livre já faz essa referência. Por isso, aqui é utilizado da forma descrita acima e o termo Escolha não aparece nas especificações de treino para referenciar estilos de nado.
Em uma série de corretivo, utilizamos a notação “Corretivo” em negrito para informar o fato, seguido do tipo de corretivo a ser utilizado. Aqui se utiliza o estilo de especificação do autor/treinador Emmett Hines, o qual se vale de diversas siglas para descrever os corretivos. No início, pode parecer confuso, mas é muito prático, conciso e eficiente utilizar essas notações.

Em séries mistas e em outros momentos, uma partícula muito importante nas especificações é a abreviação alt., que significa “alternar”. Pode ser para alternar entre uma parte nadada e uma de corretivos, entre corretivos em uma série de corretivos, entre níveis de esforços, entre os lados de execução do exercício, entre outras possibilidades.
Outra partícula muito importante nas especificações de treino apresentadas aqui é a abreviação var., que significa “variação”. Alguns corretivos apresentam algumas variações, que são pequenas modificações que não descaracterizam o exercício, transformando-o em outro. Essa é uma forma prática e concisa, inspirada na partícula anterior, para especificar tais modificações.
Corretivos (Drills) x habilidades (Skills)
Além dos corretivos, que também podem ser chamados de fundamentos, que em inglês seria Drills, há atualmente aqueles que defendem a utilização de Skills (habilidades, em tradução livre) para o desenvolvimento do treinamento. Os corretivos (drills) são componentes isolados de um movimento maior, no nosso caso, de um estilo de dado específico. Já as habilidades (skills) são pequenas modificações no movimento completo do nado, que normalmente são retratados como pontos a focar.
Sempre que a partícula foco: surgir na especificação do treino estamos tratando de habilidades a serem desenvolvidas. Normalmente, a estratégia de treinamento através de habilidades é desenvolvida com atletas avançados ou atletas que já possuem domínio da técnica suficiente para ajustar o movimento como solicitado pelo ponto a focar.
Por fim, é necessário informar quais equipamentos serão utilizados durante a execução do nado ou corretivo. Sempre precedido pela abreviação c/ os equipamentos são listados. Quando não aparecem na especificação, significa que não devem ser utilizados. Já quando aparecem, não significa que são obrigatórios. Caso você não os tenha, dá para executar os exercícios com alguns ajustes e/ou com um pouco mais de dificuldade.
Nível de esforço
Há diversas formas de especificar o nível de esforço solicitado para determinada série, diversas nomenclaturas. Para entender melhor leia: Entendendo os níveis de esforço.

Intervalo & Repouso
Em alguns momentos é dado ao atleta o tempo exato de repouso (0:20), em outros pode ser dado uma faixa (0:10-15). No entanto, há também a possibilidade de se dar o tempo total para execução de uma repetição. Nesse caso, utilizamos o termo “intervalo”. Nele, já está contabilizado o tempo de execução e o tempo de repouso.

Muitos treinos apresentam ciclos, mas nunca há uma especificação de tempo de repouso para os ciclos. O tempo sempre se refere ao tempo entre as repetições. Não é lógico utilizar o mesmo tempo de descanso das repetições entre os ciclos, caso contrario, não faria sentido a existência dos ciclos. Ou seja, descrever “3 x 4 x 25” seria o mesmo que “12 x 25”, o que não é verdade.

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Doarautor
Sou João Pinto, educador físico (CREF 009448-G/RN), também graduado em ciência da computação. Não sou um ex-atleta famoso, um treinador experiente ou um atleta com muitas medalhas. Sou apenas alguém que se apaixonou pela natação, decidiu mudar de carreira e agora compartilha o que descobre com aqueles que possuem a mesma paixão pela natação e outros esportes.
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Referências
- HINES, Emmett. Natação para condicionamento físico. São Paulo: Manole, 2009. p. 87
- LUCERO, Blythe. Technique Swim Workouts. Maidenhead: Meyer & Meyer Sport, 2009. p. 20 (Edição Kindle)
- JOHNSON, Matthew. Swimmer to Coach: how to write a workout.Las Vegas: _____, 2021. p. 4-9

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