A ciência da natação

Entrevista com o prof. João Pinto, coordenador do Projeto Santa Natação.

No IFRN Campus Santa Cruz, projetos de ensino, pesquisa e extensão têm se destacado por integrar diferentes áreas do conhecimento. Entre eles, o Santa Natação une esporte e ciência, mostrando que a piscina também pode ser um laboratório vivo para o aprendizado.

Nesta entrevista, conduzida pelo professor Karlo Medeiros em um podcast do projeto interdisciplinar Física, Música, Teatro e Podcast, o professor João Pinto fala sobre sua trajetória, a relação entre física e natação, os desafios do esporte no Brasil e o impacto de iniciativas como a do IFRN na formação de jovens atletas. A seguir, assista na íntegra a entrevista disponível no canal do projeto no YouTube.

Transcrição dA entrevista

Abaixo, tem-se a transcrição resumida da entrevista.

Karlo Medeiros: João, quem é você e como surgiu sua experiência com o projeto de natação?

João Pinto: Estou no IFRN há 13 anos (12 em Santa Cruz) e o projeto de natação existe há oito. Ele nasceu para integrar esporte e ciência e já envolveu muitos alunos e conquistas.

Karlo Medeiros: Como você relaciona física e outras ciências com a natação?

João Pinto: Eu procuro mostrar que aquilo que eles estudam tem aplicação. Por exemplo, na braçada, muitos colocam o braço à frente da cabeça. Eu explico que o correto é na linha do ombro. Mostro no quadro com vetores e decomposição de forças. Assim eles percebem que parte da força é desperdiçada se a braçada não estiver alinhada.

“Na braçada, uso vetores e decomposição de forças; na piscina, trabalhamos pH e alcalinidade. A ideia é que percebam ciência no dia a dia do esporte.”

Outro exemplo: quando ajustamos a alcalinidade da piscina com bicarbonato de sódio, trago conceitos de química. Explico que sem pH adequado, o produto não reage. A matemática, a física e a química estão imersas no nosso dia a dia, basta ter olhos para enxergar.

Karlo Medeiros: Exemplos práticos dessa aplicação?

João Pinto: Ao atravessar a piscina em golfinho, os alunos sentem a diferença entre o lado raso e o fundo e entendem a influência da pressão. Em competições, a densidade da água varia pelos produtos, afetando milésimos no tempo final.

Karlo Medeiros: Em provas longas (800m), começar devagar e acelerar ou manter constância?

João Pinto: Manter constância e parciais estáveis. Nas provas curtas, o impulso inicial e a força pesam mais; no treino, priorizamos técnica para evitar sobrecarga no ombro.

“Na curta distância, alguns detalhes de técnica cedem espaço à potência; no treino, corrigimos para preservar o ombro e a eficiência.”

Karlo Medeiros: Em provas longas (800m), começar devagar e acelerar ou manter constância?

João Pinto: Manter constância e parciais estáveis. Nas provas curtas, o impulso inicial e a força pesam mais; no treino, priorizamos técnica para evitar sobrecarga no ombro.

Karlo Medeiros: Como está a natação brasileira no cenário olímpico?

João Pinto: TEstá acontecendo o mundial em Singapura, mas não consegui acompanhar todos os resultados. Sei que o nadador Carybé teve destaque. O Brasil não tem tanto investimento como outros países. Nos EUA, por exemplo, os alunos têm equipes esportivas na escola e universidade, existe liga universitária fortíssima, e daí saem os atletas. Aqui, precisamos de escolinhas, porque as escolas não têm estrutura esportiva. Se tivéssemos esse modelo, com infraestrutura e professores, teríamos outra formação. Em Santa Cruz, poderíamos ter piscina de 50m, horários cheios, descobrindo atletas. Mas só o futebol recebe grande investimento e apoio da mídia. Outros esportes ficam negligenciados.

“Com piscinas de 50m bem aproveitadas pelo país, ampliaríamos a base e revelaríamos muito mais talentos.”

Karlo Medeiros: E o Santa Natação hoje?

João Pinto: O projeto já tem oito anos. E hoje temos parceria com a prefeitura. A ideia é trazer cinco alunos de cada escola, começando com sete escolas municipais e estaduais de Santa Cruz. A prefeitura fornece óculos, touca, sunga e maiô. Temos também a participação interna, atendendo os alunos do Instituto.

Karlo Medeiros: Parabéns à secretaria de esporte pela gestão. E sobre as competições, qual é o calendário?

João Pinto: Amanhã vamos para Mossoró, na fase final do Intercampi. Semana passada participamos dos JUVERNS. O calendário anual envolve em torno de 14 competições. Temos circuitos escolares (quatro etapas no ano), a Copa Potiguar — que é o auge da natação no estado — e também competições internas: os Jogos Interccampi (etapas polo e final) e os Jogos Internos. Há também os Jogos Escolares Juvenis (JERNS, JESC), e as competições da FAN — Federação Norte-Riograndense. Nem todos participam de todas, porque há critérios específicos de inscrição, mas no geral são 14 competições.

Karlo Medeiros: João, muito obrigado pela presença. Foi uma grata surpresa. Nosso projeto de Física já trabalha com música e teatro, e agora com natação. Parabéns. Deixe suas considerações finais.

João Pinto: Quem quiser participar será bem-vindo. Procurem nosso Instagram @santanatacao. Lá tem relatos, fotos, temporadas desde 2017, formulário de inscrição. A partir da inscrição, damos as orientações. Agradeço ao convite, ao projeto de Física, e ao nosso cinegrafista Jeckson Batista, grande motivador.

Conclusão

A entrevista reforça que a natação pode ser mais que prática esportiva: é um espaço de aprendizagem, integração comunitária e transformação social. O Santa Natação mostra como ciência e esporte, juntos, ampliam horizontes e impactam a vida de jovens atletas.