Entendendo os níveis de esforço

Uma das variáveis do treinamento em natação é o nível de esforço empregado na execução do exercício. Entendê-los, conhecer os tipos de classificações existentes é essencial a qualquer atleta.

No entanto, isso não é uma tarefa simples por diversos fatores. Primeiramente, porque há diversas formas de classificar o esforço empregado. Pode-se utilizar conceitos científicos (VO2 Max, limiar lático entre outros). Pode-se utilizar o ritmo de cruzeiro (T-Pace) do atleta, ritmo médio para executar 100m obtido através de testes como T-20 ou T-30. Nesse caso, o atleta deve tentar executar os exercícios dentro dos tempos calculados a partir do tempo de cruzeiro, assim ele estará dentro da faixa de esforço adequada para o exercício em questão. Pode-se também utilizar a Frequência Cardíaca Média (FCM) para se manter dentro da faixa de esforço conveniente.

Realmente, há diversas formas de classificar o esforço empregado e isso pode se tornar um problema, pedagogicamente. O atleta pode até entender dos conceitos científicos por trás dos termos VO2 Max, por exemplo, ou saber que T-3 é menos 3 segundos do seu tempo de cruzeiro. Mas somente com a experiência adquirida ele(a) vai saber de fato quanto esforço deve aplicar para conseguir atingir o sistema energético alvo (no caso científico) ou o tempo solicitado (no caso do ritmo de cruzeiro). Isso se torna ainda mais complicado quanto mais jovem for o atleta.

Johnson (2021) apresenta diversas tabelas de gradação de esforço adequadas para cada faixa etária de desenvolvimento humano
(do infantil ao adulto).

Isso é necessário, porque já é difícil um atleta experiente controlar seu nível de esforço, imagine para uma criança ou um atleta iniciante. Se o esforço adequado não é realizado naquela determinada série, o sistema energético alvo não é alcançado, ou seja, o organismo não utiliza os meios adequados para produção de energia, assim os benefícios da série não são obtidos e o praticante não evolui.

Taormina (2013) defende em seu livro que apesar dos diversos meios existentes para expressar o nível de esforço, a percepção subjetiva de esforço do atleta é uma forma extremamente eficiente para se fazer isso. A sua opinião não é unanimidade entre os autores/treinadores, mas de fato dependendo do dia estamos mais aptos a desprender mais energia com menos esforço, já há dias que o menor dos esforços já aparenta ser o máximo que vamos conseguir naquele momento. Realmente, somente o atleta tem condições de conhecer sua força e os limites do seu corpo.

O vídeo apresenta algumas formas diretas e indiretas de verificar a intensidade do esforço aplicado.

O objetivo aqui não é definir qual o melhor método de classificação de esforço, pois cada um tem as suas vantagens e momentos mais adequados de uso. A questão reside no fato de como transmitir ao atleta o quanto de esforço ele deve aplicar em determinado exercício, quer seja através do treinador, quer seja através do treino escrito. Por exemplo, quando a criança possui oito anos, falta a ela coordenação adequada, falta potência muscular. Não é possível solicitar dela que controle sua força durante os exercícios em mais do que três níveis. Já um adulto pode graduar sua força em mais níveis, no entanto em quantos mais?

Alguns autores, descrevem cinco, seis, sete níveis de esforço. Outros associam a quantidade de níveis aos objetivos das séries de exercícios. Outros graduam os esforços acima dos 100%. Não há um padrão claro a ser seguido. Assim como as crianças que só conseguem compreender três níveis, a grande maioria dos adultos e adolescentes lidam bem com a utilização de cinco níveis de esforço. Dessa forma, de acordo com o padrão defendido por Taormina (2013), segue uma proposta de níveis de esforço:

  • Fácil (Easy) 60-65%: a taxa cardíaca é baixa. É possível conversar facilmente entre as voltas e não deve ficar ofegante ao término. Presente normalmente no aquecimento, no relaxamento e nos fundamentos.
  • Moderado (Moderate) 70-75%: nível aeróbio de esforço. Você pode conversar entre as voltas, mas a respiração já é notável. Neste nível você poderia continuar por uma hora ou mais. Se fôssemos comparar com corrida seria o famoso trote.
  • Forte (Strong) 80-85%: nível de resistência. Aqui você não consegue conversar facilmente, mas consegue rir de uma piada ou cumprimentar o parceiro da raia ao lado entre as voltas.
  • Rápido (Fast) 90-95%: muito próximo ao nível máximo de esforço, mas com certo grau de controle envolvido. Você não vai querer nem vai conseguir conversar ao término.
  • Com tudo (All-out) 100%: nível máximo de esforço, tudo que você tiver. Normalmente a forma é prejudicada em benefício da velocidade.


REFERÊNCIAS

autor


Sou João Pinto, professor de educação física (CREF 9448-G/RN), também graduado em ciência da computação. Não sou um ex-atleta famoso, um treinador experiente ou um atleta com muitas medalhas. Sou apenas alguém que se apaixonou pela natação, decidiu mudar de carreira e agora compartilha o que descobre com quem tem a mesma paixão pela natação e por outros esportes.

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